O feudalismo e a igreja fiel


O sistema feudal

As duas fases da Idade Média

A sociedade feudal

A condição de servo

Feudalismo era um sistema social vigente na Europa Ocidental, aproximadamente entre os séculos X e XVIII, com características políticas, econômicas, jurídicas e militares particulares. Sob este aspecto, abrange outras regiões outras que, à semelhança da Idade Média europeia, possuíam instituições ao estilo feudal, como Egito antigo, Índia, Império Bizantino, mundo árabe, Império Turco, Japão etc.

Características determinantes do feudalismo:
- desenvolvimento extremo dos laços de dependência de homem para homem, com uma “classe” de guerreiros especializados que ocupam os escalões superiores da hierarquia juridicamente fundamentada;
– parcelamento máximo do direito da propriedade; uma hierarquia oriunda dos direitos sobre a terra (proveniente do parcelamento), e que corresponde à hierarquia dos laços de dependência pessoal;
– parcelamento de poder público, criando em cada região uma hierarquia de instâncias autônomas que exercem, no seu próprio interesse, poderes normalmente atribuídos ao Estado e, em épocas anteriores, quase sempre da efetiva competência deste.


A concepção política baseia-se, portanto, nas relações individuais e na fidelidade entre vassalos e suseranos, com pouca autoridade central, sendo o rei, na maioria dos casos, o mais alto suserano. Economicamente, a terra é o elemento fundamental da riqueza: a sua fragmentação, acompanhada do estabelecimento de laços pessoais, cria o sistema de suserania e vassalagem: quem doa a terra é o senhor feudal ou suserano; quem a recebe, podendo transmiti-la aos seus descendentes, é o vassalo.

O sistema feudal

A origem do feudalismo foi desencadeada a partir da crise romana. O feudalismo foi uma formação social composta por valores romanos, católicos e germânicos. Este sistema dominou a vida dos reinos europeus do século X ao século XVIII. O feudalismo teve em suas origens vários aspectos: houve grande retorno ao campo.

 

 


A ruralização (vida rural) da sociedade europeia aconteceu no inicio do feudalismo, pois o comércio foi abandonado como principal atividade econômica. De igual modo pequenas propriedades de terras desapareceram. Essas pequenas propriedades se arruinaram economicamente e foram incorporadas às grandes propriedades. Assim, os grandes proprietários de terra foram ampliando seus poderes locais.

As duas fases da Idade Média

O feudalismo é o elemento que define parte da história. É uma fase singular devido à servidão. Coincidentemente a Idade Média está ligada com a formação, desenvolvimento e declínio do trabalho servil. É dividida em:

• Alta Idade Média (séc. V-XI): esta fase vai desde a queda de Roma e formação dos reinos germânicos no Ocidente até o início das Cruzadas contra o Islã. A servidão começa a surgir e tomar forma, para depois se tornar sólida e espalhar-se.
• Baixa Idade Média (séc. XI-XV): esta fase tem início com a primeira Cruzada até a centralização do poder Real e a expansão ultramarina europeia. Nesta fase tem-se o renascimento comercial e urbano, orientando assim a vida econômica. Nesta época ocorre o apogeu e também a crise que leva ao seu declínio.


A sociedade feudal

A sociedade feudal era formada pela aristocracia proprietária de terras (composta pelo alto clero e pela nobreza) e pela massa de camponeses (servos e vilões não-proprietários). O clero ocupa papel relevante na sociedade feudal. Os sacerdotes destacavam-se como servidores de Deus, detentores da cultura e administradores das grandes propriedades da Igreja, além de sua marcante ação assistencial aos desvalidos.

A Igreja procurava legitimar o modo de agir da aristocracia, afirmando que Deus tinha distribuído tarefas específicas a cada homem e que, portanto, uns deviam rezar pela salvação de todos (o clero), outros deviam lutar para proteger o povo de Deus (a nobreza) e os outros deviam alimentar com seu trabalho, aqueles que oravam e guerreavam (os camponeses).

Os nobres (Reis, Duques, Marqueses, Viscondes, Barões e Cavaleiros) habitavam os castelos, que eram, ao mesmo tempo, residência e núcleo de defesa contra os ataques de inimigos. Alguém escreveu que na época, o castelo era um “… sinal de segurança, de poderio e de prestígio. No século XI erguem-se as torres e vence a preocupação da defesa. Em seguida, precisam-se os encantos da habitação. Continuando bem defendidos, os castelos passam a dar mais lugar aos alojamentos e criam edifícios de habitação dentro das muralhas”…

O senhor feudal procurava cercar-se em seu castelo de uma corte numerosa, com dezenas de comensais entre vassalos, parentes, amigos, cavaleiros, além de criados domésticos e artesãos especializados. Os grandes senhores possuíam vários domínios, administrados em sua ausência pelos intendentes, encarregados de fiscalizar a produção dos camponeses.

Os nobres gastavam seus rendimentos em joias e banquetes, bem como em torneios, duelos e caçadas, utilizando cães e cavalos amestrados, símbolo de pompa e riqueza. De igual modo ocupavam seu tempo em treinamentos no uso de armas (espada, lança e escudo). As despesas da nobreza eram asseguradas pelos tributos arrancados dos servos. Quando isso não bastava, os senhores recorriam a empréstimos, inicialmente junto às igrejas e posteriormente junto aos judeus, que nessa época eram os únicos isentos da condenação da usura, que por sua vez recaía sobre os cristãos.


A condição de servo

Os camponeses, anteriormente colonos e escravos, transformaram-se em servos da gleba (presos à terra) ou vilões (livres), dependentes do senhor que detinha o poder de proteger, de julgar, de punir e de arrecadar impostos, tendo em vista a fragmentação do poder público.


Estavam submetidos a uma série de encargos e sujeições considerados infamantes, como as corveias (trabalho duro não remunerado imposto ao vassalo pelo suserino), as banalidades, o direito de consórcio e a impossibilidade de abandonar o domínio sem autorização.

As corveias consistiam na obrigação de prestar ao senhor serviços gratuitos de tipo variado como: trabalho na lavoura, construção de cercas e pontes, entrega de pilhas de lenha etc. As banalidades eram taxas cobradas pelo uso do moinho do senhor para moer cereais, do forno para assar o pão e o lagar para pisar as uvas para o vinho.

Os servos não possuíam a plena posse de seu lote ou manso e, portanto, não podiam transmiti-lo livremente por herança. Ao morrer um camponês, seu filho pagava uma taxa de sucessão para continuar em seu lugar.

A condição de servo impunha também a autorização do senhor para contrair matrimônio. Se o futuro cônjuge pertencesse a outra aldeia ou domínio, o senhor exigia uma compensação em dinheiro para permitir o casamento.

Para a nobreza, o servo comparava-se a um animal selvagem, de uma feiura repugnante e sempre de mau humor. Era ridicularizado em poemas que se referiam a ele como “vilão”, “rústico”, “gatuno”, “diabo”, “ladrão”, apresentando-o ainda como um viciado, maldito e miserável.


Dessa maneira, o camponês medieval, além de explorado pelas corveias e impostos, era desprezado e visto como uma figura que apenas se parecia com uma pessoa humana. Naquela época, as terras cultivadas não eram muito extensas e os campos não tinham proteção contra a má colheita provocada por seca, inundação ou passagem de soldados. Por isso, a população camponesa alimentava-se mal, vivendo à beira da fome ou morrendo com as epidemias tão comuns na Idade Média e que atingiam principalmente a camada mais pobre.


A exploração dos servos pelos nobres, sem a mínima preocupação do clero, esbarrava numa forte resistência de muitos deles, que não recolhiam os tributos devidos, incendiavam as colheitas, fugiam para as florestas ou uniam-se a bandos de foras da lei. Revoltas camponesas, mesmo duramente reprimidas, não foram raras e caracterizavam as relações de conflito entre a nobreza e o campesinato durante a época feudal.

Mais Estudo Bíblico

Vede a Salvação do Senhor para convosco!

Natal: Deus conosco

O fio de escarlate

Heresia, apostasia e anticristo

As janelas do palácio

A importância da família

O relativismo, a verdade e a fé

O feudalismo e a igreja fiel

Holocausto

As três ressurreições operados pelo Senhor Jesus