1. Introdução

“Põe em ordem tua casa, porque morrerás, e não viverás.” Isaías 38:1

O texto citado acima refere-se a uma sentença de morte profetizada por Isaías a Ezequias, rei de Israel. É possível destacar, da abordagem desse texto, alguns temas científicos relacionados à fé.

2. O tempo (chronos)

A temporalidade é um aspecto da vida que surpreende o homem. A história do rei de Israel, Ezequias, descreve que ele havia adoecido de uma enfermidade mortal quando recebeu uma mensagem da parte de Deus, entregue pelo profeta Isaías. O rei Ezequias, com suas tantas ocupações, nos aponta o momento atual, em que o homem possui muitas ocupações e problemas e, às vezes, não está em condições de ouvir diretamente da parte de Deus qualquer mensagem.

Pode-se considerar atualmente que tantos ruídos levam à corrupção de muitas vidas, o que pode contribuir para corromper a mensagem de Deus para o homem.

Só ali, no encontro com o Profeta, intermediário de Deus, o rei pôde descobrir o real valor e teor de suas necessidades, quando se voltou para a parede, dando as costas para o ruído do mundo, pedindo socorro com lágrimas, se humilhando diante da triste realidade “… morrerás, e não viverás”. Entendendo que havia uma outra vida que, por um tempo, deveria acrescentar.

Antes que o Profeta saísse do pátio, veio a Palavra do Senhor dizendo que aceitava a humilhação e as lágrimas do rei, lhe dando 15 anos de acréscimo à sua vida, confirmando o valor da eternidade (Isaías 38:5).

3. A entropia

A entropia aponta para a lei presente em toda criação, em que a desordem é um processo natural [3] e,  portanto, a ordem de Deus, ao rei, era necessária:

“Põe em ordem a tua casa, …”. Sabemos que tudo pode morrer: “… morrerás, e não viverás”.

Uma sinalização do fenômeno da entropia é o fato de que o homem, e nesse caso em especial o rei Ezequias, está inserido na obra criadora que é regida pelas quatro medidas do universo, a saber: a largura, a altura, o comprimento e o tempo.

O conselho embutido na mensagem do Profeta advinda de Deus: “põe em ordem a tua casa”, é a sinalização de um escape para a vida do rei. Esse escape é a obra redentora de onde provém a fé [5], que não tem nada a ver com a obra criadora.

Não se pode explicar a fé com os elementos da obra criadora, mas podemos afirmar que a fé é o “firme fundamento”, como está escrito em Hebreus no capítulo 11, versículo 1 [1].

Firme fundamento, pois vem da eternidade e não pode ser gerada, mas é geradora de vida. Nesse aspecto, percebemos e salientamos a existência de uma quinta medida, a revelação [6].

4. A velocidade do pensamento

O pensamento humano, no que se refere à sua velocidade de ação, não pode transpor o limite físico imposto pela velocidade da luz, de aproximadamente 300 000 quilômetros por segundo, apesar de o  cérebro, tão pequeno, possuir cerca de 86 bilhões de neurônios, segundo pesquisas recentes, e fazer de 1 000 a 10 000 conexões entre si.

O estímulo que se deu no cérebro de Ezequias pela palavra do Profeta ocorreu em função de um processo físico-químico (figura 1) e principalmente biológico em sua mente, com a velocidade aproximadamente de 200 metros por segundo [8], que é a velocidade média de propagação de um impulso elétrico através do axônio e com retardo natural do processo que deveria limitar a sua mente [2].

Na fala do Profeta ao rei, havia uma transmissão da informação na direção horizontal, que é humana, enquanto, em sua oração, a transmissão é vertical, porque só o Espírito Santo vence os limites impostos pela velocidade da luz, como no exemplo do rei Davi, quando profetiza 1 000 anos antes do Messias, descrito no Salmo 23 [1].

5. A informação Subjacente ao processo de pensar, há uma maior informação oriunda da eternidade.

No diagrama de Shannon [7], (figura 2), tem-se uma representação que demonstra uma cadeia de comunicação da mensagem e, no caso de Ezequias, o que vem da eternidade é por revelação por meio do Espírito Santo que entra no tempo cronológico da obra criadora, uma razão que não consegue entender aquilo que é eterno.

No caso do texto bíblico e analisando o diagrama proposto na figura 2, vê-se que da eternidade vem a palavra codificada “COD”, dirigida ao Profeta que levou a profecia para o rei: “Põe em ordem tua casa, porque morrerás, e não viverás”; que entendeu a mensagem, pois usou o recurso que lhe permitia entrar no tempo de Deus, que foi a “oração”, ou seja, o mistério que consegue mover a eternidade.

6. O ruído

No processo de transmissão da informação, está o complicador chamado “ruído” no meio em que transita. Observações astronômicas em grandes centros são comprometidas pela quantidade de luz que afeta as medidas da luminosidade de estrelas distantes, o que se nota na figura 2, quando o ruído, que é tão comum, pode afetar a informação que se quer transmitir ou receber [4].

Quando o homem aplica a sua razão (ruído) ao que é eterno, ele fica suscetível às distorções, não compreendendo a mensagem de Deus para sua vida.

Na experiência do rei Ezequias, o Profeta, como homem, recebe um código e decodifica-o para retransmiti-lo.

A Bíblia está repleta de exemplos em que ruídos distorceram, a muitos, o caminho da verdade.

Quando o Profeta entrega a mensagem ao rei Ezequias e ele a recebe: “…morrerás, …”, ele faz uma oração a Deus, e o Senhor Deus envia uma segunda mensagem, ao mesmo Profeta, que agora dizia: “… viverás…”.

O espírito de profecia que está na Igreja Fiel é operado pelo Espírito Santo para livrá-la de qualquer tipo de desvio.

É bom notar que, antes que o Profeta saísse do pátio do palácio, andando em velocidade limitada, a segunda mensagem, da parte de Deus, chega na velocidade da luz (na revelação) e o processo de morte é interrompido e a vida é alcançada pela misericórdia de Deus.

7. O tempo (kairós)

Enquanto no tempo do homem (chronos) há uma série de coisas que são impossíveis e limitadas, no tempo de Deus (kairós) tudo é possível.

A figura 3 representa o relógio de Acaz, que era um instrumento utilizado para medir o tempo diretamente relacionado com o sol. Conforme as horas se passavam, a sombra percorria o marcador no tempo, que indicava o projeto de resgate como sinal pedido pelo rei, quando a sombra foi revertida, recuando 10 graus, equivalentes a 40 minutos.

Pelos relatos bíblicos e mensagens daquele tempo, quando os Profetas eram enviados, eles levavam uma mensagem direta, de forma objetiva, com aviso breve e decisivo. Sendo assim, aquele sinal de certa maneira seria o indício de que Deus havia apagado a sentença de morte.

8. Conclusão 

Ezequias, agora, viveria com dois marcos em sua vida e memória: o dia em que alcançou uma nova vida e a promessa de Deus que ele conheceu, naquele momento, sabendo que um dia ela iria se cumprir.

Na vida do homem transformado pela operação de Deus, há sempre, pelo menos, dois grandes marcos: o dia em que ele nasce em Cristo Jesus, e o dia em que ele alcança a promessa do Pai  (da qual tomou ciência de que haveria de cumprir, assim como a Igreja aguarda a promessa da eternidade).

Transcorridos 14 anos, 11 meses e alguns dias, Ezequias logo se encontrou com o seu Deus. O mesmo tempo que se apressa, aguardado pelo homem no encontro com Deus. Um tempo que se aproxima, pois o grande dia está chegando.

A Igreja Viva está continuamente proclamando uma informação vinda da eternidade, isenta de ruídos, atravessando os tempos, de que, em breve, o Senhor Jesus voltará. Essa é a informação de maior interesse para a alma do homem e que, a cada dia, o Espírito Santo tem colocado em nossos corações.

Maranata 

o Senhor Jesus Vem!

Referências

[1] BÍBLIA Português. A Bíblia Sagrada:  Antigo e Novo Testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição rev. e atualizada no Brasil. Brasília: Sociedade Bíblia do Brasil, 1969.

[2] Bear, M. et al Neuroscience – Exploring the Brain, 3. ed. Lippincott Williams Wilkins, Estados Unidos da América, 2007, pp. 24, 103-104.

[3] Callen, H. B. Thermodynamics and an Introduction to Thermostatistics. New York: Wiley, 1985.

[4] Gerges, S. N. Y. Ruído: fundamentos e controle. 2. ed. Florianópolis: NR Editora, 2000.

[5] Gueiros, G. V. T. Fé: sua manifestação histórica e profética. Vila Velha, Ed. do autor, 2018.

[6] Gueiros, G. V. T. Ciência e Fé: Grupo Ciência e Fé. Vila Velha, Ed. do autor, 2020.

[7] Shannon, C. E.  A mathematical theory of communication. The Bell System Technical Journal 27, 379-426, 623-656, 1948.

[8] Sornmo L., Laguna P. Bioelectrical  Signal Processing in Cardiac and Neurological Applications, Elsevier Academic Press, Estados Unidos da América, 2005, 10-55.

GRUPO DE CIÊNCIA E FÉ DA IGREJA CRISTÃ MARANATA

Dados do autor: Alex Sander de Moura, Pastor e membro do grupo Ciência e Fé da Igreja Cristã Maranata, graduado em Matemática pela Ufes, mestre em Matemática pela UnB e doutor em Engenharia elétrica pela UFMG, atua como professor pesquisador na UFJF.

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